ENSAIO ONTOLÓGICO SOBRE DEUS
O Pintor Divino e a incerteza
“O Campo com Energia e Flutuações” primordial
confirmação científica para os felizes da fé
Para um Navegante de conjeturas (não as nega peremptoriamente), o ateu não pondera uma das leis universais da Natureza, a da incerteza (Heisenberg), no paradoxo do Omnitudo (Deus ter omnisciência e também omnipotência; e diz o ateu: Se Deus sabe o que vai acontecer, depois não pode mudar e não é omnipotente então).
De facto, o ateu não pondera que Deus propositadamente tenha decidido que pode haver mudanças aleatórias, consentindo imensas variáveis nos arranjos materiais possíveis, até no ADN da vida, com as suas redundâncias e as não atuantes sucessões num genoma. Ou seja, um Deus Criador pode ter imaginado justamente, desde o tal “Big Bang” [1], um Universo incerto, para ir criando aperfeiçoamentos com o tempo, como um pintor num quadro sempre inacabado.
Assim, a premissa não evidente no paradoxo do Omnitudo (e que elimina o seu sentido contraditório comum) é que na omnisciência está incluída a aceitação da incerteza. Assim, deixa de haver pretexto para sentenciar à morte nietzschiana o Omnitudo do Sonho: Esse Deus Criador.
Quanto ao paradoxo sofrimento-Providência, imaginemos o seguinte: Um ser excecional do nosso tempo cria um sistema todo praticamente automatizado, posto em andamento perpétuo, no qual permite que haja pessoas a desfrutar das suas possibilidades. O criador pode mudar algumas coisas, mas não pode mudar o automatismo que regula o andamento e a existência do próprio sistema. Ora, suponhamos que um dos utentes não obedece às leis do automatismo e é nele sacrificado. Pode o criador do sistema impedir esse acidente se as leis do sistema forem imutáveis?
Um Deus não pode, por exemplo, mudar a lei universal da gravidade, lá porque um suicida lhe pede ajuda para não se estatelar quando se arrepende em plena queda. Outro exemplo: Na união de um gâmeta masculino com um feminino, no acaso duma cópula heterossexual e atendendo à variabilidade “intencionalmente possível”, é concebido um ser com problemas orgânicos ou permitindo que as suas vivências livres posteriores deem origem a esses problemas. Ora, pode um Deus, mesmo omnipotente, evitar esses problemas, dado que montou o sistema nessa variabilidade? O Deus em nós poderá dar uma ajuda na escolha daquilo que criou livre, e, nisso, é omnipotente, ...mas está limitado ao que for possível na estrutura que montou.
Assim, numa emergência, a variabilidade possível num dado momento poderá estar muito reduzida. [2] Então, a imploração pela ajuda de Deus em certos casos pode ter só como resultado o que teria o tal suicida arrependido em plena queda.
Mas as frases “se Deus quiser”, “com a ajuda de Deus”, já terão mais sentido, pois, quanto a um acto no futuro, a variabilidade permite muitas alternativas. Por exemplo, no caso desse suicidário acima indicado, Deus poderia ter conseguido, por qualquer forma, dissuadi-lo do acto. Veio a notícia de um polícia que decidiu passar por uma ponte e, nessa decisão, evitou que alguém se atirasse dela. Teria sido Deus que impeliu o polícia a passar justamente àquela hora naquele sítio? A coincidência foi obra de Deus, diria o povo, e, no Sonho Lindo, poderá ter razão.
A solução do paradoxo do Omnitudo também é aplicável à questão do livre‑arbítrio. Diz-se: Se Deus sabe tudo o que vai acontecer, que liberdade temos nós de proceder de outra forma, que não a que está no conhecimento de Deus? Ou seja, o destino fica-nos traçado, e, então, não passamos de marionetas, não se justificando prémios e castigos a quem se impôs o procedimento previsto no conhecimento de Deus. Ora, a premissa deste paradoxo é a mesma: Na pintura de Deus, sucessiva, do ser humano (cintando algumas fases: Hominídeos, Australopithecus, Homo habilis, Sapiens), Deus conseguiu um ser com uma capacidade cerebral de 100 “terabytes”, permitindo uma imensa variabilidade de arranjos; logo, com liberdade na incerteza, e na qual a escolha só pode ser dele próprio.
Reponta o ateu: Palavras, palavras, palavras... Palavras leva-as vento... Todo este argumentário continua sem explicar o que era esse Deus Criador e o Nada do qual ele fez o Universo.
Ajuda pedida a ChatGPT:
Pergunta: O que era o Universo antes de haver a presente matéria e energia?
Resposta:
Essa é uma pergunta profunda que cruza os domínios da física, da cosmologia e da filosofia. Vamos abordá-la por partes, com base no que a ciência atual propõe — principalmente pela física teórica e cosmologia:
Antes da Matéria e Energia: o que havia?
O conceito de “antes” pode não fazer sentido
Na teoria do Big Bang, o tempo e o espaço surgem juntos com o Universo. Isso significa que:
Vácuo quântico e flutuações
Algumas teorias propõem que o universo pode ter surgido de:
Muitas vezes se fala que o universo veio do “nada”. Mas:
Conclusão
Para o Navegante das Conjeturas, tudo se torna explicável: não só os aparentes paradoxos de Deus são deslindados, mas, inclusivamente, fica a hipótese científica de Deus ser o Campo com energia e flutuações acima citado, que existia antes de haver outra coisa. Energia que agora enforma todo o Universo e até os fenómenos da vida.
Campo com um significado mais fundamental que o Deus Universo de Espinosa. Campo também presente em nós, só que dinâmico... Se, para Espinosa, tudo é o Universo, logo, a matéria de que somos constituídos também o é; ...então, continua a ser Universo mesmo se se decompõe quando a vida se esvai. Mas o Campo Divino (com energia) só existe em nós com vida, nos seus processos metabólicos (flutuações do Campo).
Em Damásio, a emergência da energia consciente da vida é o “sentimento de si”; o sentimento que o crente tem da existência de Deus é, no fundo, a emergência do Campo Divino em nós.
"Na mente do Navegante das Conjeturas", este raciocínio justificado prova a existência científica de Deus, ...uma conjetura que considera factual, enquanto não for controvertida. E admite a sua proposição final: Existe a ação de Deus em tudo, porque Deus se concretiza na energia.
De facto, definições de energia pela ChatGPT:
Quando dizemos que energia é a capacidade de realizar trabalho, mas depois definimos trabalho como uma forma de transferir energia, estamos lidando com um círculo lógico (dito vicioso). Isso mostra que, no fundo, (na designação energia) estamos lidando com um conceito fundamental e indefinido.
Energia é uma propriedade quantitativa dos sistemas físicos, que expressa a tendência à transformação e ao movimento, manifestando-se de formas diversas (como calor, luz, movimento, ligações químicas) e conservando-se em todas essas transformações.
Energia é uma quantidade abstrata que se conserva e se transforma, mas que não possui forma nem substância própria.
[1] «O “Big Bang” foi uma teoria de Georges Lemaître, desenvolvida por Friedemann e Gamow. Considera-se que todo o universo, incluindo o próprio espaço, estava comprimido num único "ovo cósmico", que depois se foi sucessivamente fragmentando até chegar ao Universo atual, ainda hoje em expansão.»
«Porém, continua a levantar o problema de Quem ou o Quê pôs o ovo (a matemática não põe ovos físicos, verifica-os ou descobre-os só, com base em premissas experimentalmente verificadas, deduzindo o que na lógica racional existe ou não, e como acontecem os fenómenos nesse raciocínio lógico).»
Tinha tomado estas notas. Não me lembro da fonte. Estão devidamente entre aspas para significar que são transcrições.
[2] Estas conclusões do autor foram escritas muito antes de ter lido Stephen Hawkings. Este afirma também, transcrevendo o que está referenciado na Wikipédia, que: "O universo é governado pelas leis da ciência. As leis podem ter sido criadas por um Criador, mas um Criador não intervém para quebrar essas leis.". O que o autor acrescenta agora de novo é que também existe a lei da incerteza na variabilidade possível e, nessa variabilidade, o Pintor Divino pode atuar sem violar as Suas leis fundamentais.